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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Carta de Pedido de Socorro - Educação Infantil

Esta carta foi enviada a diversos endereços, e várias cópias foram entregues para candidatos, autoridades e professores...

Vamos lutar pela melhoria das condições de trabalho dos profissionias que cuidam das crianças...



Prezados (as) Professores, Gestores, pais, mães e interessados em geral




Considerando as necessidades históricas da cidade de São Paulo em relação ao atendimento a crianças e em especial das crianças na faixa etária de zero a três anos de idade, que alias é motivo de um grande número de ações judiciais promovidas por parte do Ministério Publico contra a Municipalidade e que, devido as necessidades impares das crianças, demandam formação especifica e muita atenção para evitar acidentes e auxiliá-las na sua formação inicial quanto pessoa, lembrando que a nossa constituição Federal de 1988, no seu artigo nº 208, inciso IV (IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade - Grifo meu); ratificado pela Lei 9394/96, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, no seu Titulo III, que trata dos direitos do cidadão e do dever do Estado, em seu artigo nº 4, inciso 4 (O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de: ... IV - atendimento gratuito em creches e pré-escolas às crianças de zero a seis anos de idade – Grifo meu); o que garante esse nível de educação como um direito a ser oferecido pelo Estado a todas as crianças e define que os profissionais devem OBRIGATÓRIAMENTE ter formação acadêmica com licenciatura especifica para o exercício da Educação Infantil e pré-escola, como pode ser visto no artigo 61 da lei 9394-96, com a nova redação garantida pela lei 12014-09 (LDB – Art. 61. Consideram-se profissionais da educação escolar básica os que, nela estando em efetivo exercício e tendo sido formados em cursos reconhecidos, são: I – professores habilitados em nível médio ou superior para a docência na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio... – Grifo meu), venho pela presente expor, e por fim solicitar o seu apoio expresso e auxilio, quase um pedido de SOCORRO para a situação vivida pelos funcionários das unidades conhecidas como CEIs (Centros de Educação Infantil) indiretos ou conveniados.

Sou funcionária formada em Magistério, pela tradicional EE "Américo Brasiliense" situada na cidade de Santo André, no ano de 1999, e formada em Pedagogia com enfase em Educação Infantil, inclusive que foi objeto de meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) no curso chamado Normal Superior, promovido pela Universidade Uniararas, com sede na cidade de Araras, Estado de São Paulo, sendo que me formei em 2005, e atuando na área de educação, com educação Infantil a seis anos (em 2010), tanto em CEIs da Administração Publica, como em CEIs de instituições conveniadas. Posso afirmar que entrei no Magistério em decorrência da competitividade do mercado de trabalho e fui "empurrada" para a Educação Infantil, pois na área acadêmica esse ramo da educação é legado a segundo plano, mas uma vez trabalhando nesse ramo de educação, simplesmente me apaixonei, não sendo mais o meu desejo abandonar essa área.

Entretanto, é com extrema tristeza que observo alguns fatos, dentre os mais tristes o descaso por parte dos responsáveis pelas crianças para com os profissionais, que são tratados com palavras de baixo calão, tais como "essas vagabundas" (palavras de mais de uma mãe) entre outras.

A isso, vamos ter um outro problema, enquanto o salario de um profissional na rede publica percebe uma remuneração superior a R$ 1.800,00 (um mil e oitocentos reais) por mês para uma carga de 30 horas semanais, divididas em cinco horas de atividade sala e uma hora de atividade estudo por dia, para o inicio de carreira, um profissional de uma unidade conveniada percebe uma remuneração de aproximadamente R$ 800,00 (oitocentos reais) por mês para uma jornada de 40 horas semanais (oito horas por dia de trabalho diretamente realizado com as crianças), sem direito a hora de estudo, e muitas vezes tendo que realizar suas refeições as pressas para auxiliar a companheira de sala ou tendo que estender a sua jornada, sem direito a qualquer compensação.

Isso gera um grande descontentamento, pois inexiste uma carreira, e os profissionais qualificados não suportam tal fardo e acabam saindo da unidade, prejudicando ainda mais o bom atendimento.

A isso adicionamos a falta de adaptação dos prédios, muitos deles próprios municipais que tinham outras funções e por isso mesmo não são providos de elementos básicos para uma unidade de atendimento infantil, como espaço para berçário, lactário, sanitários, local para banho em bebes, etc, alem da falta de acessibilidade prevista na Norma Brasileira NBR-9050.

O meu desejo é o reconhecimento, por parte da sociedade, de que os professores das unidades conveniadas são merecedores de condições dignas de trabalho.

A redução da carga de trabalho de oito horas para cinco horas diárias, com mais uma hora de atividade permitiria aos educadores uma melhor qualidade de vida e uma sobrevivência profissional, igualando as unidades conveniadas com as unidades diretas, mesmo que a renda dessa segunda ainda seja maior. Afinal trabalhamos com seres humanos e mesmo assim temos que executar uma jornada desgastante de oito horas diárias, enquanto o atendente de Telemarketing ou o ascensorista de elevador, em decorrência do seu trabalho estressante tem uma jornada de trabalho de seis horas diárias e com intervalos regulares. Será que um atendente de Telemarketing ou uma ascensorista conseguiria lidar uma um grupo de 10 crianças durante quatro horas? Acredito que não. Então por que o educador tem que trabalhar oito horas por dia? Isso sem considerar que muitas vezes a educadora não pode nem mesmo sair da sala para ir ao sanitário, pois não pode abandonar as crianças a própria sorte. Bastaria uma pequena investigação para descobrir quantas educadoras estão sofrendo de Cistite, em decorrência do enorme número de horas que elas tem que ficar prendendo a urina.

Gostaria, por fim, de promover a conscientização da sociedade sobre quem cuida de suas crianças nos CEIs, e que são as principais responsáveis por ensinar a andar, falar e tirara-las das fraldas, fazendo muitas vezes o papel da mãe e da própria família, que muitas vezes sabe menos sobre as crianças do que as educadoras que cuidam e as educam, e por parte da administração, esperamos que ela reconheça a necessidade real de investir nos prédios, e nessa classe profissional tão sofrida, permitindo assim a valorização dessas profissionais, que se doam mais do que poderiam receber em troca!

Desejo a todos a oportunidade de conhecer a felicidade de ser Professor de Educação Infantil, e ter a chance de realizar pequenos feitos na vida de uma crianças, que ao cumularem ao fim de um período (um ano), desabrocham num ser diferente, muito mais complexo e completo para o convívio na sociedade!



Junho de 2010



ldslobo@ig.com.br

Professora Lourdes Dias dos Santos Lobo

R. Luiz Juliani, 158

03978-270 - Vila Renato - São Paulo – SP

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