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terça-feira, 16 de abril de 2013

Educação, Investimento ou Custo?


Como devemos encarar a educação no país? Ela é um custo ou um investimento?

Vamos começar analisando o foco no individuo. Quem completa o ensino médio (completando em média entre 11 e 17 anos de educação básica) na cidade de São Paulo ingressa no mercado de trabalho, muitas vezes empurrado para o mercado de telemarketing, onde percebe um salário de aproximadamente R$ 1000,00 (um mil reais), ou acaba trabalhando nas lojas e comércios locais, recebendo entre R$ 650,00 (seiscentos e cinquenta) e R$ 800,00 (oitocentos) para uma carga de trabalho que varia de 40 a 44 horas semanais e muitas vezes  ainda se submete a uma escala, em que se trabalha sábado, domingo e feriado.

Ao mesmo tempo um educando que realiza um curso técnico e procura estágio, pode encontrar bolsas que pagam R$ 700,00 (setecentos reais) para uma jornada de 6 horas diárias mais benefícios, ou seja, é um salário melhor, para um curso gratuito e “simples” que dura 18 meses (três semestres).

A diferença parece pequena, mas ela existe e estamos falando de uma escolaridade “paralela” ou seja, que o educando desenvolve juntamente com o ensino médio (colegial).

Entretanto, aparentemente, a educação no Brasil não é investimento e sim custo! Explico, o PNE (Plano Nacional de Educação) que deveria ter entrado em vigor no ano de 2011 arrasta-se no Congresso Nacional, em especial por conta do seu artigo 20 que determina o investimento de 10% (dez por cento) do PIB (Produto Interno Bruto – riqueza produzida pelo Pais em um ano) em educação. Essa proposta foi aprovada na Câmara dos Deputados, mas enfrenta duas correntes contrárias no Senado Federal, uma que afirma que não é necessário aumentar os investimentos, hoje em torno de 5% (cinco por cento). Outra prega que o investimento deveria ficar entre 7 e 8% do PIB.

Ocorre que muito se fala e se usa de dados (verdadeiros) para se justificar situações. No nosso caso o exemplo utilizado é da Coréia do Sul que investe apenas 4,63 % do seu PIB e tem um dos melhores resultados no PISA (programa de avaliação de alunos). O que não se comenta é que a Coréia investe US$ 8.542,00/Ano aluno, enquanto o Brasil investe US$ 2.647,00/Ano aluno. 
Outro fator é que cada dólar investido na precaução resulta na economia de sete dólares na correção, isso se aplica, normalmente para sistemas de esgoto e tragédias físicas, mas podemos afirmar, sem medo de errar, que essa mesma ideia aplica-se a educação, pois o investimento realizado na construção de escolas, cursos, etc. resultaria em uma grande redução nos custos sócias, entre eles com a redução dos índices de violência e melhoria do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano).

Lógico que esse investimento precisa ser contabilizado e fiscalizado para que o investimento no setor ocorra realmente em educação e  não em fraudes e desvios, pois nossa estrutura  precisa ser melhorada, tanto física, quanto humana, e a exemplo da Coréia do Sul, mais tarde o investimento feito hoje representará uma grande economia, e um menor investimento,  pois ai, somente precisaremos de manutenção.

Baseado no texto da Revista Nova Escola – Abril/2013
Wellington Sores e Elisa Meirelles