Como devemos encarar a educação no país? Ela é um custo ou
um investimento?
Vamos começar analisando o foco
no individuo. Quem completa o ensino médio (completando em média entre 11 e 17 anos
de educação básica) na cidade de São Paulo ingressa no mercado de trabalho,
muitas vezes empurrado para o mercado de telemarketing, onde percebe um salário
de aproximadamente R$ 1000,00 (um mil reais), ou acaba trabalhando nas lojas e comércios
locais, recebendo entre R$ 650,00 (seiscentos e cinquenta) e R$ 800,00
(oitocentos) para uma carga de trabalho que varia de 40 a 44 horas semanais e
muitas vezes ainda se submete a uma
escala, em que se trabalha sábado, domingo e feriado.
Ao mesmo tempo um educando que
realiza um curso técnico e procura estágio, pode encontrar bolsas que pagam R$
700,00 (setecentos reais) para uma jornada de 6 horas diárias mais benefícios,
ou seja, é um salário melhor, para um curso gratuito e “simples” que dura 18
meses (três semestres).
A diferença parece pequena, mas
ela existe e estamos falando de uma escolaridade “paralela” ou seja, que o
educando desenvolve juntamente com o ensino médio (colegial).
Entretanto, aparentemente, a
educação no Brasil não é investimento e sim custo! Explico, o PNE (Plano
Nacional de Educação) que deveria ter entrado em vigor no ano de 2011
arrasta-se no Congresso Nacional, em especial por conta do seu artigo 20 que
determina o investimento de 10% (dez por cento) do PIB (Produto Interno Bruto –
riqueza produzida pelo Pais em um ano) em educação. Essa proposta foi aprovada
na Câmara dos Deputados, mas enfrenta duas correntes contrárias no Senado Federal,
uma que afirma que não é necessário aumentar os investimentos, hoje em torno de
5% (cinco por cento). Outra prega que o investimento deveria ficar entre 7 e 8%
do PIB.
Ocorre que muito se fala e se usa
de dados (verdadeiros) para se justificar situações. No nosso caso o exemplo
utilizado é da Coréia do Sul que investe apenas 4,63 % do seu PIB e tem um dos
melhores resultados no PISA (programa de avaliação de alunos). O que não se
comenta é que a Coréia investe US$ 8.542,00/Ano aluno, enquanto o Brasil
investe US$ 2.647,00/Ano aluno.
Outro fator é que cada dólar investido
na precaução resulta na economia de sete dólares na correção, isso se aplica,
normalmente para sistemas de esgoto e tragédias físicas, mas podemos afirmar,
sem medo de errar, que essa mesma ideia aplica-se a educação, pois o
investimento realizado na construção de escolas, cursos, etc. resultaria em uma
grande redução nos custos sócias, entre eles com a redução dos índices de violência
e melhoria do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano).
Lógico que esse investimento
precisa ser contabilizado e fiscalizado para que o investimento no setor ocorra
realmente em educação e não em fraudes e
desvios, pois nossa estrutura precisa
ser melhorada, tanto física, quanto humana, e a exemplo da Coréia do Sul, mais
tarde o investimento feito hoje representará uma grande economia, e um menor
investimento, pois ai, somente
precisaremos de manutenção.
Baseado no texto da Revista Nova
Escola – Abril/2013
Wellington Sores e Elisa
Meirelles
